Caio F. Abreu

Eu Quero…


Eu quero um colo,um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço, uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar. eu quero um calor no inverno, um extravio morno de minha consciência e depois sem som, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas… (Caio F. Abreu)



E assim...


Aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. a moça – que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca – levanta e segue em frente. não por ser forte, e sim pelo contrário…por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. e ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo. (Caio F. Abreu)



‘Não, ela não era tola.


mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar. (Caio F. Abreu)



Preciso sim, preciso tanto..


alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser ao conjunto teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho carente, tigre e lótus. 
(Caio F. Abreu)


Ella é mais..


que um sorriso tímido de canto de boca, dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer. ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter. ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive. (Caio F. Abreu)

Não sou pra todos.!!


gosto muito do meu mundinho. ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. às vezes tem um céu azul, outras tempestade. lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. mas não cabe muita gente. todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. são necessárias. 
(Caio F. Abreu)

E vou dizendo lento…


como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa – gosto muito de você de você muito de você. 
(Caio F. Abreu)

Como se houvesse..


entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia. (Caio F. Abreu)


Mudei muito… 


Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. (Caio F. Abreu )


E…


de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer.
(Caio F. Abreu)